Equipamentos baseados em alta tecnologia têm demonstrado crescente popularidade para o tratamento de uma variedade de disfunções da pele nas últimas décadas. 

Isso foi motivado em parte pelas mudanças demográficas, resultando em aumento da demanda por procedimentos estéticos relacionados a combater os efeitos do envelhecimento e uma variedade de outros fatores que contribuem para a flacidez da pele, celulite, cicatrizes hipertróficas e o indesejado aparecimento acelerado de rugas.

Para tratar essas patologias, os terapeutas optam por um número de opções de tratamento variando em grau de complexidade (Stephenson, 1970).

 

Entenda a radiofrequência 

 

A radiofrequência (RF) é um recurso que já existe há muitos anos. Por exemplo: em 1911, já era empregada para corte e cauterização do tecido e, em 1976, foi aproveitada para fins medicinais no combate a células de câncer; porém, para esses fins, eram utilizadas potências mais altas de radiofrequência. Recentemente, tem-se mostrado importante, para fins terapêuticos, que seja utilizada com a potência adequada apenas para aumentar a temperatura do tecido, sem que haja agressão à pele.

A corrente de radiofrequência assemelha-se à corrente de rádio quando diz respeito à frequência das correntes; porém, distinguem-se nos sistemas mecânicos e nas oscilações eletromagnéticas por terem propriedades exclusivas diferentes de correntes alternadas. Ou seja, as propriedades das duas, apesar de semelhantes, diferenciam-se.

A radiofrequência é uma onda eletromagnética que gera calor por conversão, compreendida entre 30 KHz e 300 MHz. A frequência mais utilizada fica entre 0,5 a 1,5 MHz, visando produzir calor normalmente na faixa de 37º C a 45º C para estimular a produção de fibras colágenas e elastina.

As correntes que se localizam abaixo de 3.000 Hertz (Hz) são empregadas na eletroestimulação e eletroanalgesia. Em compensação, a radiofrequência é utilizada na dermatologia para geração de calor por conversão. A conversão refere-se à passagem da radiofrequência com comprimento de onda métrica e centimétrica pelo tecido do indivíduo, convertendo-se em outra radiação, calor, cujo comprimento de onda está na ordem do nanômetro (Capponi e Ronzio, 2007).

Importante: a produção de calor nos tecidos pela radiofrequência depende do modo da corrente e da intensidade, bem como da resistência ou da impedância da pele à passagem de eletricidade. Ou seja, conserve a pele hidratada durante o tratamento para atingir os resultados esperados e evitar riscos de queimaduras por a pele trabalhar como um resistor de corrente eletromagnética.

O comportamento de indução de calor do tecido conectivo e a quantidade de contração do colágeno dependem de vários fatores, incluindo a temperatura e sua manutenção, tempo de exposição à radiofrequência e o estresse mecânico aplicado no tecido durante o processo de aquecimento (Rosado et al., 2006).

Corroborando com Rosado, Esparza (2003) relata que a contração do colágeno (Figura 1) ocorre com o desdobramento da tripla hélice por desnaturação das ligações entre as cadeias e a tensão do intra-helicoidales residual intramolecular.

Figura 1: efeito de contração de colágeno desencadeado pelo calor.

Para Hassun et al. (2008), a radiofrequência é um tratamento não invasivo, que leva ao melhor aporte circulatório e de nutrientes, hidratação tecidual, aumento da oxigenação, aceleração da eliminação de catabólitos, lipólise e contração do tecido conectivo, promovendo a reorientação de fibras de colágeno e incremento na contagem dessas fibras, aumento da espessura e na densidade do tecido de colágeno, bem como a regeneração da flacidez cutânea leve a moderada, para a melhora do contorno facial e corporal, atenuação de sulcos e de rítides.

De todos os procedimentos de aquecimento de tecido, a radiofrequência parece ser a mais instituída e comprovada clinicamente, com a vantagem de chegar até a profundidade da pele, visto que até a hipoderme poderá ser aquecida (Inna et al., 2012).

A energia penetra o nível celular em epiderme, derme e hipoderme e alcança também as células musculares. Cabe lembrar que a profundidade de penetração da radiofrequência é a função inversa de sua frequência (Figura 2).

Figura 2: diferentes profundidades atingidas pela radiofrequência, conforme a frequência (medida em MHz)

Dicas

 

Tempo de aplicação

 

A sugestão é de 2 a 5 minutos por área de manopla.

Exemplo: se a área de aplicação for a região abdominal, deve-se contar quantas manoplas encaixam-se nessa área corporal. Se forem 10 manoplas, o tempo de aplicação será de 20 minutos no mínimo.

 

Potência ou dose

 

Ela deve ser a máxima que o paciente tolerar sem desconforto, até chegar à temperatura adequada.

 

Frequência

 

Regiões mais superficiais: frequências maiores de 1200 KHz e 2400 KHz (exemplo: estímulo de colágeno).

Regiões mais profundas: frequências menores de 650 KHz (exemplo: tratamento de gordura).

 

Formas de aplicação

 

Moher et al. (2009) e Hexsel et al. (2013) relatam que entre as formas de aplicação encontram-se a monopolar (unipolar) e a bipolar (tripolar – multipolar).

Na RF monopolar, a corrente elétrica é emitida por meio de um eletrodo aplicado à área de tratamento e retorna ao gerador através de um eletrodo de dimensões maiores, localizado a distância (geralmente no dorso ou abdome). A energia elétrica concentra-se próxima à ponteira do eletrodo ativo e diminui rapidamente com a distância, gerando atuação terapêutica mais profunda.

Já a RF bipolar apresenta os eletrodos de saída e retorno da corrente na própria ponteira (Figura 3), gerando dessa forma um circuito elétrico de efeito terapêutico mais superficial em relação à RF monopolar (Nootheti et al. 2006).

Figura 3: profundidade da radiofrequência monopolar e bipolar

Para gerar maior profundidade da bipolar, devemos colocar as frequências de programação mais baixas (exemplo: +/- 0,8 MHz).

 

Número de sessões

 

O número pode variar entre 6 e 10 sessões com resultados visivelmente positivos.

O intervalo entre os tratamentos também apresenta divergência na literatura. El-Domyati et al. (2011) e Montesi et al. (2007) sugerem o tempo de duas semanas como intervalo, enquanto Javata et al. (2011) de apenas uma semana. Entre os estudos analisados por Belenky et al. (2012), Elsaie et al. (2009), Atieyh et al. (2009) e Alster e Lupton (2007), não houve um consenso estabelecido entre as sessões, variando de uma semana até três semanas. Também não houve consenso sobre a partir de qual semana observam-se melhores resultados.

Cabe ressaltar que o efeito térmico da radiofrequência no tecido causa um processo inflamatório (em altas temperaturas), levando a uma reação do organismo ao processo agressor, desencadeando todas as fases de um processo de cicatrização.