A celulite é a grande vilã da beleza feminina, está presente em 90% das mulheres ocidentais. Cada vez aparece mais cedo, atingindo mesmo jovens e adolescentes e não respeitando até as mulheres magras.

A celulite é uma alteração da topografia da pele que acontece principalmente em mulheres na região pélvica, MsIs e adbômen. O termo “celulite” foi primeiramente usado em 1920 para descrever uma alteração estética da superfície cutânea. Desde então foram sugeridos outros nomes mais descritivos como: Lipoesclerose Nodular, Paniculopatia Edemato-Fibroesclerótica (PEFE), Lipodistrofia Ginóide (LDG), Fibro Edema Gelóide (FEG).

A celulite consiste numa infiltração edematosa do tecido conjuntivo, seguida de polimerização da substância fundamental que, infiltrando-se nas tramas, produz uma reação fibrótica consecutiva. Essa polimerização (ou processo reativo) da substância fundamental amorfa, resultante de uma alteração no meio interno, é favorecida por causas locais e gerais, em virtude da qual os mucopolissacarídeos que a integram sofrem um processo de gelificação. A reação fibrótica que ocorre na celulite como consequência do edema do tecido conjuntivo e da hiperpolimerização da substância fundamental se manifesta em forma de nódulos ou placas de variada extensão e localização, podendo, inclusive, apresentar dor nas áreas atingidas.

Atualmente grande parte do público feminino tem recorrido a métodos e técnicas da área de estética na expectativa de obter resultados para seus problemas relacionados á beleza. Isto motivou uma grande revolução na indústria de cosméticos e aparelhos da área de estética, assim como na pesquisa e introdução de novos conceitos que, quando eleitos e aplicados corretamente, proporcionam resultados que atendem as pretensões dos pacientes e profissionais.

A terapia de onda de choque foram estudadas e demonstraram ser opções de tratamento seguras e eficazes para a celulite (Sattler et al., 2008, Knobloch et al, 2013, Russe-Wilflingseder et al, 2013, Braun et al, 2005, Angehrn et al, 2007, Christ et al, 2008, Christ et al, 2008, Adatto et al, 2010, Kuhn et al, 2008).

Esta é uma imagem (Figura 1) anterior e posterior ao tratamento da coxa esquerda e das nádegas após 8 sessões de ondas de choque com 3.6 bar, 4000 pulsos por área, 8 sessões no total, com 2 sessões por semana. Resultados após 4 semanas:

Figura 1: antes e após 8 sessões de ondas de choque.

Como as ondas de choque reduzem a celulite?

Muitos artigos descreveram mecanismos potenciais para as ondas de choque reduzirem a celulite. As pesquisas sugerem que a pressão ou as ondas acústicas são efetivas para romper o septo de tecido fibroso esclerótico responsável por grande parte da aparência desigual da celulite (Siems et al 2005). No entanto, outros efeitos foram citados; Braun et al (2005) relatam que a estimulação dos capilares sanguíneos e linfáticos, o aumento da permeabilidade da membrana e a estimulação da lipólise. Angehrn et al (2007) relataram que as ondas de choques estimulou o metabolismo celular e o aumento da expressão do fator de crescimento endotelial vascular, do óxido nítrico e do antígeno nuclear das células em proliferação. Christ et al (2008) comentam que o estresse oxidativo pode ser reduzido.  Kuhn et al (2008) descreveram a indução de neocolagênese. Ferraro et al (2012) relataram aumento da angiogênese e a apoptose das células de gordura desencadeadas pela inflamação e a ativação das fibras nervosas da pele e a liberação da substância P.

 

Referências

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