Ginecomastia é uma condição masculina resultante do desenvolvimento excessivo das glândulas mamárias (conforme já relatado na entrevista publicada no site com o Dr. Márcio Castan).

Costuma aparecer em garotos de treze ou quatorze anos, como decorrência das alterações hormonais da adolescência. Nesses casos, as mamas desenvolvem por períodos de seis meses ou menos, para depois retornar ao tamanho normal. Em cerca de 5% das vezes, entretanto, a hipertrofia persiste até a vida adulta.

É preciso diferenciá-la da pseudoginecomastia, caracterizada pelo depósito excessivo de gordura. Pseudoginecomastia refere-se ao aumento benigno da mama masculina, devido ao excesso de gordura subareolar. Pseudoginecomastia difere da ginecomastia, em que o componente de gordura predomina sobre o componente fibroso e de hipertrofia glandular. (Figura 1)

Essa condição traz sofrimento psicológico, particularmente em adolescentes e jovens. Cirurgia para redução de tamanho da mama é o quarto  procedimento de cirurgia estética mais popular para homens. Muitos pacientes, no entanto, têm medo de procedimentos cirúrgicos invasivos por causa de possíveis complicações e recuperação. A pseudoginecomastia é indesejável, e tanto cosmeticamente como terapeuticamente desafiadora para tratar.

Nos últimos 30 anos, a tendência de tratamento da pseudoginecomastia segue uma mudança em direção a técnicas menos invasivas e opções conservadoras. Isso ocorre, em parte, devido à alta incidência de complicações cirúrgicas relatadas, incluindo hematoma, seroma, infecção, deformidade do complexo mamilo-areolar, cicatrizes hiper ou hipotróficas, alterações sensoriais, trombose venosa profunda e embolia pulmonar, bem como risco associado com anestesia geral.

Sugestões de técnicas de redução de gordura não invasivas incluem criolipólise, radiofrequência, ultrassom focalizado (HIFU)  e terapia de laser de baixa potência (laser lipólise). Estes procedimentos eliminam a necessidade de anestesia geral, tempo de recuperação prolongado e reduzem a incidência de complicações pós-cirúrgicas.

A Criolipólise é um método não invasivo para seletiva destruição de gordura, que surge como opção para o tratamento da pseudoginecomastia. Esta nova tecnologia utiliza exposição ao frio para reduzir a gordura subcutânea, sem danos aos tecidos circundantes. Vários estudos clínicos que avaliaram a eficácia e segurança da Criolipólise já foram publicados.

A principal vantagem da aplicação da Criolipólise na região do peito reside na capacidade de reduzir o volume de tecido gorduroso mamário com pouco desconforto e sem criar deformidades. A técnica de Criolipólise fornece um arrefecimento da temperatura em uma velocidade controlada. Nenhum caso de ulceração, cicatrizes ou mudanças significativas em perfil lipídico e função hepática tem sido relatado após a Criolipólise. Efeitos colaterais mais comuns são vermelhidão (eritema), petéquias, edema e leve desconforto (dor, sensibilidade) na área tratada.

Alguns estudos têm  demonstrado que a Criolipólise  é segura e eficaz para a diminuição da gordura subareolar localizada. Tratamentos de Criolipólise em  pseudoginecomastia apresentaram melhora acentuada, avaliados por ultrassonografia e fotografias clínicas. (Figuras 2, 3 e 4)

Figura 2 – Avaliação por ultrassonografia de um paciente com pseudoginecomastia antes e após 120 dias (Munavalli e Panchaprateep, 2015).

 

Figura 3 – Paciente com pseudoginecomastia antes e após dois meses da técnica de Criolipólise (Spring, 2013).

 

Figura 4 – Paciente com pseudoginecomastia antes e após um ano e seis meses da técnica de Criolipólise (Munavalli e Panchaprateep, 2015).

Os resultados desses estudos indicam que a Criolipólise é segura, com o mínimo de tempo de inatividade e com resultados relativamente rápidos.  Além disso, a satisfação dos pacientes e a boa tolerância ao tratamento incentivam a utilização da técnica. Mais estudos são necessários para avaliar a eficácia, os parâmetros ideais de tratamento e os intervalos de tratamento  para avaliar efeitos adversos.

 

Referências 

 

Avram, M. M.; Harry, R. S. Cryolipolysis for subcutaneous fat layer reduction. Lasers Surg Med, 2009; 41:703-8.

Cuhaci, N.; Polat, S. B.; Evranos, B.; Ersoy, R. et al. Gynecomastia: clinical evaluation and management. Indian J Endocrinol Metab, 2014; 18:150-8.

El-Khatib, H. A. A single stage liposuction and dermopexy for grade 3b and grade 4 pseudogynecomastia after massive weight loss: an observational study. Int J Surg, 2007; 5:155-61.

Klein, K. B.; Zelickson, B.; Riopelle, J. G.; Okamoto, E. et al. Non-invasive cryolipolysis for subcutaneous fat reduction does not affect serum lipid levels or liver function tests. Lasers Surg Med, 2009; 41:785-90.

Monarca, C.; Rizzo, M. I. Gynecomastia: tips and tricks-classification and surgical approach. Plast Reconstr Surg, 2013; 131:863e-5e.

Ladizinski, B.; Lee, K. C.; Nutan, F. N.; Higgins, H. W. II et al. Gynecomastia: etiologies, clinical presentations, diagnosis and management. South Med J, 2014; 107:44-9.

Ratnam, B. V. A new classification and treatment protocol for gynecomastia. Aesthet Surg J, 2009; 29:26-31.

Saedi, N.; Kaminer, M. New waves for fat reduction: high-intensity focused ultrasound. Semin Cutan Med Surg, 2013; 32:26-30.