O uso dos lasers para depilação tem sido estudado por muitos anos. Nesse procedimento, a luz é absorvida pela melanina do pelo com o objetivo de agredir (lesionar) o bulbo piloso. Estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Miami avaliou o uso do laser para remoção de pelos. Dos 92 pacientes tratados, todos tiveram perda de pelo temporária e 89% tiveram redução permanente. A programação apropriada dos parâmetros mostrou causar a redução permanente dos pelos sem danificar a epiderme.

A depilação a laser centra-se na estimulação da melanina endógena (cromóforo), que é principalmente encontrada no eixo do pelo, com uma pequena quantidade presente no terço superior do epitélio folicular (Figura 1). Quando uma fonte de energia apropriada (laser ou luz pulsada) é dirigida para a pele, a luz é principalmente absorvida na melanina do eixo do cabelo, o calor é gerado e difunde-se através do epitélio folicular. Um princípio semelhante aplica-se ao tratamento a laser de lesões vasculares, onde o calor é gerado após a absorção pela hemoglobina.

Representação do folículo piloso, do bulbo e da papila dérmica

(Figura 1)

A depilação a laser baseia-se nos princípios da fototermólise seletiva: uma combinação de comprimento de onda apropriado, duração do pulso e fluência.

– Comprimentos de onda entre aproximadamente 700 e 1000 nanômetros (nm) são seletivamente mais absorvidos pela melanina e menos por cromóforos concorrentes (oxihemoglobina e água). A Figura 2 mostra a absorção de diferentes cromóforos na pele. Portanto, qualquer fonte de luz que opere entre 700 e 1000 nm é apropriada para alvejar a melanina na haste capilar (ideal +/- 800).

(Figura 2)

– A duração do pulso (ou largura do pulso) deve ser igual ou menor do que o relaxamento térmico – tempo para limitar os danos térmicos. O tempo de relaxamento térmico depende da estrutura folicular inteira e do seu diâmetro. Consequentemente, a fonte da luz deve ter um espectro de larguras para danificar seletivamente os folículos.

– A fluência deve ser combinada à largura de pulso para gerar a quantidade de calor adequada para causar as lesões foliculares e consequentemente a depilação.

 

Orientações Clínicas

 

Seleção do Paciente

 

Ao estudar a cor do pelo e tipo de pele, é simples determinar quais pacientes terão o melhor resultado com depilação a laser. Pacientes com cabelos ruivos, brancos ou loiros podem ter dificuldade na redução permanente do pelo.

Os pacientes não podem fazer depilação por arrancamento (cera ou pinça), pré-sessão de laser ou luz pulsada, pois precisamos do cromóforo (haste do pelo) para o sucesso da terapia.

 

Método de Tratamento

 

O paciente deve fazer depilação com gilete dois dias antes da sessão, não havendo necessidade do uso de anestésicos. Existe um alto risco de lesão ocular com o laser, porque a retina tem uma concentração muito alta de melanina. Por esta razão, o tratamento não deve ser realizado dentro da área óssea do olho, e sempre com óculos de proteção para o paciente e para o terapeuta.

Durante os tratamentos é importante limpar regularmente a manopla. Quando o folículo do cabelo carboniza, deixa restos no sistema de entrega. Esse acúmulo pode torná-lo quente e pode dificultar a penetração da luz laser, além do risco de queimaduras.

 

Seleção da Energia

 

Cor do pelo e cor da pele determinam a melhor fluência para utilizar. Tipos de pele mais escura IV a VI  devem ser tratadas com energias menores, entre 10 e 20 J/cm2. Os tipos de pele mais claras I a III podem usar fluências maiores, entre 25 a 40 J/cm2.

O tratamento deve ser realizado com a maior fluência que a pele possa tolerar. Estudos têm mostrado que a porcentagem de perda de pelo é dependente da fluência. A manopla  deve estar em contato firme com a pele.

 

Acompanhamento

 

Edema e hiperemia perifoliculares são os desfechos clínicos desejados. Eles indicam que o paciente tem sido tratado com fluência adequada. A sensação de ardência dura geralmente de uma a três horas. Aplicar gelo dará alívio e reduzirá a duração do edema.

 

CONCLUSÃO

 

A redução temporária e permanente dos pelos pode ser alcançada com segurança e eficácia ao combinar a duração do pulso, tempo de relaxamento térmico e fluência com a cor específica do pelo e cor da pele.

Somente a experiência com determinado aparelho e a sensibilidade na observação e análise dos resultados obtidos é que permitem formar uma decisão para cada paciente.

 

Referências

 

  1. Absten, G. T.; Joffe, S. N. Lasers in Medicine. An Introductory Guide. 2nd ed., Chapman and Hall: London, 1988.
  2. Anderson, R. R. Laser-Tissue Interactions. In: Cutaneous laser surgery: the art and science of selective photothermolysis. Goldman, M. P.; Fitzpatrick, R. E. eds. St. Louis: Mosby-Year Book, 2nd ed., 1998: 1-18.
  3. Anderson, R. R.; Parish, J. A. Selective photothermolysis: precise microsurgery by selective absorption of pulsed radiation. Science, 1983: 220; 524-527.
  4. Anderson, R R.; Parrish, J. A. The optics of human skin. J Invest Dermatol, 1981; 77: 13.
  5. Anderson, R. R. Polarized light examination and photography of the skin. Arch Dermatol, 1991; 127: 1000-1005.
  6. Bertolino, A. P.; Klein, L. M.; Freedberg, I. M. Biology of hair follicles. In Fitzpatrick, T. B. et al., eds. Dermatology in General Medicine. 4th ed. McGraw-Hill: New York, 1993.