Recentemente, em decorrência da mídia e do aumento de clínicas e academias que introduziram as plataformas vibratórias, muitos profissionais da área da saúde buscam literaturas e capacitações sobre o tema. Os efeitos da vibração no corpo humano foram descritos por pesquisadores ao longo das últimas décadas como uma alternativa eficaz e segura tanto para ganho de flexibilidade quanto para o aumento da força, da densidade óssea, da circulação, do metabolismo, além do aumento na produção de certos hormônios – que ativam enzimas lipolíticas.

OBS: a figura 1, a seguir, traz um levantamento realizado até o ano de 2005 do número de publicações científicas sobre o assunto plataforma vibratória.

 

Breve Histórico

 

A utilização da vibração como ferramenta terapêutica não é uma novidade tecnológica dos tempos modernos. Na antiga Grécia já era utilizada para acelerar a recuperação de lesões através de um artefato que consistia numa banda de tecido envolvendo o membro lesionado numa ponta, e a outra ligada a uma lâmina metálica flexível que provocava a vibração (mas apenas numa única direção).

No final do século XIX, o médico John Harvey Kellogg`s também utilizou a vibração mecânica (e pela primeira vez em múltiplas direções) para tratar alguns pacientes que sofriam de doenças como nevralgias e atrofia muscular, mas foi o cientista alemão Biermann que percebeu o potencial da vibração estudando a Estimulação Neuromuscular Rítmica através de vibrações ciclóides. O cientista russo Vladimir Nazarov, na década de 1960, foi o primeiro a usar a vibração com o objetivo de melhorar a performance atlética, algo a que ele chamou Estimulação Biomecânica.

O conceito científico de plataforma vibratória explode há mais de 45 anos, na antiga União Soviética, para combater a perda óssea ocorrida durante a permanência dos astronautas no espaço. Anos 60 – Guerra Fria: União Soviética X EUA = corrida espacial.

Figura 2: Plataforma sendo utilizada em simuladores da NASA.

O sistema músculo-esquelético enfraquece com a ausência de gravidade, assim como o sistema ósseo pela falta de impacto. A força da gravidade é a principal fonte de estímulos mecânicos, responsáveis pelo desenvolvimento das estruturas musculares e ósseas do nosso organismo. Com o objetivo de reverter as modificações das fibras, provocadas pela falta de força gravitacional no organismo, foi desenvolvido o Treinamento Vibratório.

No Brasil, em 2005, a plataforma foi introduzida em clínicas de fisioterapia e estética, academias, clubes e studios de pilates, como uma alternativa de exercício físico associado com a prática de outras atividades físicas.

 

Treinamento Vibratório na Gordura

 

As intensas vibrações provocam constantes contrações dos músculos e um recrutamento maior de fibras musculares. Somente em função disto já teríamos um aumento da “queima” calórica.

Esses estímulos (com frequências específicas) causam a liberação natural do hormônio do crescimento (GH) e da testosterona, que são fatores importantes que estimulam o aumento de massa muscular e a eliminação do “excesso de gordura” (Figura 3).

Figura 3: Lipólise desencadeada pela liberação de hormônio de crescimento.

Estudos realizados por Bosco em 2000 demonstram efeitos hormonais em um único treino com plataforma. O treinamento estimulou que o corpo liberasse até 361% do hormônio de crescimento (GH), 7% de testosterona (auxiliando o aumento de massa muscular) e uma absorção em até 32% de cortisol (Figura 4).

Figura  4: Concentração plasmática de cortisol, testosterona e hormônio de crescimento.

Recentemente, Di Loreto et al. (2004) realizaram um estudo controlado sobre o efeito de 25 minutos de estimulação de vibração (30 Hz) no sistema endócrino de 10 homens saudáveis, encontrando uma ligeira redução na glicose plasmática e concentrações plasmáticas aumentadas de norepinefrina. Isto indica que o treinamento vibratório aumenta a utilização de glicose pelos músculos ativos.

Relembrando que a norepinefrina  é um neurotransmissor que atua como um potencializador de metabolismo (extremamente importante na combinação de nossos tratamentos para redução de gordura localizada). As principais catecolaminas são a norepinefrina, a epinefrina e a dopamina.

 

Referências:

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