aplicação de depilação definitiva em mulher

Desde o começo da década de 80, com a elucidação dos princípios da fototermólise seletiva por Anderson e Parrish, a tecnologia de laser e luz pulsada foi tão aperfeiçoada que ganhou imensa popularidade entre os profissionais de todas as especialidades, o que levou a que esta seja considerada uma das primeiras linhas de tratamento de várias condições cutâneas.

 A teoria de Anderson e Parrish revolucionou o campo da cirurgia cutânea com laser, pois descrevia como era possível o controle da destruição de tecido alvo selecionado sem que ocorressem danos térmicos significativos nas estruturas circundantes. Para isto, deve-se ter em conta três princípios.

  1. Deve ser selecionado o comprimento de onda apropriado, o qual seja absorvido pelo tecido alvo. 
  2. A duração da exposição do tecido à radiação (duração de pulsação) deve ser inferior ao tempo de relaxamento térmico do alvo.
  3. A densidade de energia (ou fluência) fornecida pelo laser e luz pulsada deve ser suficientemente alta, de forma a destruir o alvo dentro do tempo estipulado.

Assim sendo, tendo por base estes três princípios, os parâmetros do laser e da luz pulsada podem ser ajustados em cada aplicação cutânea de forma a obter o efeito máximo na destruição do alvo com o mínimo de danos no tecido adjacente.

 

Características físicas dos aparelhos de Laser e Luz Pulsada

 

As luzes do laser e da luz branca (luz pulsada) se diferem na maneira como os fótons estão arranjados e na quantidade de fótons por unidade de área de emissão produzidos (figura 1). 

Figura 1: diferenças físicas entre Laser e Luz Pulsada

 

Características da luz do Laser:

 

Monocromática: o laser é um feixe de luz monocromática, ou seja, feixe de mesmo comprimento de onda, que é determinado pelo meio de origem.

Coerente: energia dos fótons que se propagam na mesma direção. A coerência também permite aos lasers serem focados adequadamente no local marcado.

Colimada: todos os “feixes de luz” são paralelos, podem propagar grandes distâncias sem divergência, podendo concentrar a luz colimada em focos pequenos, permitindo ação precisa.

 

Características da Luz Pulsada:

 

Não é monocromática, colimada e coerente (figura 1).

Os equipamentos consistem em uma lâmpada do tipo flash armazenada em uma manopla óptica, em que há espelhos refletores projetados para emitir a luz através de um norte de luz óptica. Geralmente são resfriadas com água. Para transmitir a luz para a pele, algumas tecnologias utilizam guias de luz intercambiáveis de quartzo ou de safira, cobertos de material dielétrico reflexivo.

OBS.: levando-se em conta o aspecto dinâmico da evolução dos aparelhos, o estudo das tecnologias utilizadas deve buscar o conhecimento de cada tecnologia, suas indicações específicas e atualização contínua para aperfeiçoar os resultados terapêuticos e evitar complicações.

 

Evidências Científicas da Depilação Definitiva com Luz Pulsada

 

Toosi et al., em 2006, compararam a eficácia clínica e efeitos colaterais de um LASER alexandrita, um LASER de diodo e LIP (filtro: 650 nm, energia: 22–34 J/cm2, pulso duplo, duração do pulso: 20 milissegundos, tempo de relaxamento: 10-40 milissegundos) para depilação em 232 pacientes. Seis meses após o tratamento (3 a 7 sessões), não houve diferença entre a redução média de pelo de LIP (66.9 ± 17.7%), alexandrita (68.8 ± 16.9%) e diodo LASER (71,7 ± 18,1%), (P = 0,194).

Usando tomografia computadorizada, Amin e Goldberg, em 2006, avaliaram a eficácia de um aparelho LIP (filtro vermelho), um LASER de diodo de 810 nm e um LASER de alexandrita de 755 nm em 10 pacientes com pelos nas costas e coxas. A avaliação foi realizada 1, 3 e 6 meses após; o segundo tratamento mostrou uma diminuição significativa na contagem de pelos (± 50%) para todos os dispositivos de luz (sem diferença estatística).

 

Evidências Científicas da Depilação Definitiva com Laser de Diodo

 

Royo et al., em 2011, observaram os resultados de 368 pacientes, e as áreas que reagiram melhor ao LASER foram a região púbica – virilha – e as axilas. No seu estudo, a perda de pelos por sessão foi gradual e proporcional ao número de sessões realizadas. A eficiência total do tratamento foi de 75 a 100%.

Campos et al., em 2000, realizaram um estudo com 38 pacientes, tratados com LASER de diodo de 800 nm, tendo uma fluência variando de 10 a 40 J/cm² (em média 33,4 J/cm2), sendo realizadas de 1 a 4 aplicações (em média 2,7). Esses pacientes foram acompanhados por no mínimo quatro meses e no máximo um ano (média de 8,7 meses) para avaliar a redução de pelos na região tratada, a qual foi aferida através de fotografias. Verificou-se que 59% dos pacientes exibiram pelos de maneira esparsa, no entanto os que utilizaram fluência maior tiveram uma redução mais eficaz em longo prazo. Concluído através deste estudo que o tratamento foi eficaz, assim como o tratamento proposto pelo presente artigo, cujas pacientes relataram estar satisfeitas com o tratamento.

 

Referências

 

Kazmi Ah, Bajwa UB, Mahmood K. The prevalence of Hirsutism in Pakistani Females. Journal of Pakistan Institute of Medical Sciences, 1993; 4: 195197.

Anderson RR, Parrish JA. Selective photothermolysis. Precise microsurgery by selective absorption of pulsed radiation. Science. 1983; 220: 524.

Anderson RR. Laser-tissue interactions, in cutaneous laser surgery: Goldman MP, Fitzpatrick RE, editors. The Art and Science of  Selective Phototermolysis St. Louis Mosby. 1998; p 1-18.

Dierickx CC, Grossman MC, Anderson RR. Long Pulsed ruby laser hair removal. Lasers Surg Med. 1997; S9: 167.

Dierickx CC, Grossman MC, Farinelli WA, Anderson RR. Permanent hair removal by normal-mode ruby laser. Arch Dermatol. 1998; 134: 837-844.